quarta-feira, 31 de outubro de 2012



COLEIRINHO CANTADOR

Quando estou bêbado é que me sinto sóbrio! É, boas palavras... Isso pode consolar um jovem alcoólatra. Ou talvez, apenas seja uma boa desculpa pra beber umas e outras nesse calor insuportável. Bem, o fato é que não tem nenhum “pinguim” na minha geladeira e eu juro que precisava de uns. Pra ter bons sonhos, sabe? Ou apenas pra tentar dormir um pouco. Dormir pesado, de dobrar o ronco, assim como o coleirinho do meu pai fazia... Quando estava feliz,  dobrava o canto! Emendava um canto no outro... Se esguelava de cantar... Só porque era feliz naquela gaiola suja, com água fresca, alpiste e osso de siba... Osso de siba é cálcio puro. Ótimo para fêmeas, quando estão colocando ovos. Bem, se cantava tanto não era uma fêmea, o coleiro do meu pai. Fêmeas de passarinhos, geralmente não cantam. Estranho, entre os humanos, as fêmeas cantam muito mais, e mais bonito. Será que isso tem alguma ligação com sofrimento e sensibilidade? Acho que não, hoje em dia não há quase mulheres sofridas ou sensíveis. É mesmo uma espécie em extinção, aquilo que Vinícius de Moraes falava sobre as mulheres que tinham “qualquer coisa de triste, que chora”... Elas foram tão pisoteadas pelos homens ao longo da história, que decidiram ser piores que eles... É uma superação só, guri... Você precisa saber o que essas mulheres mudaram nos últimos 50 anos. Desde que a pílula anticoncepcional foi inventada, que elas não param de se reinventar. E reinventar o mundo, os valores da sociedade e etc. Elas nem ensinam mais o famoso machismo a seus filhos, você precisa saber... Uma mudança grande, sabe? Só não sei se é tão louvável assim, já que seus filhos sentem falta de mães. Bem, antes eles não tinham pais e agora não tem mães... Nada que eles não possam suportar. Os homens foram obrigados, finalmente, a se mexer. Alguns assumiram o papel de mães, outros simplesmente abandonam suas famílias, porque suas mulheres não são como suas mães, assim, machistas e superprotetoras... Azar o deles, né? Azar o dos filhos, na verdade... Nem sei de quem é o azar, e na verdade, nem a sorte. Sei que os pais tem melhorado muito suas relações com seus filhos, isso sim. A maioria dos caras hoje em dia, é bom pai, está presente e se importa com a gurizada, com a casa, com as notas da escola e essas coisas que o meu pai nunca quis, ou pode saber... Como ele mesmo diz, trabalhava de 07:00h da manhã as 11:00h da noite... Acho isso muito engraçado. Na verdade o que acho engraçado, é que os pais de hoje são muito melhores que os de antes, mas não aprenderam nada disso com uma mulher. Nem com a sua esposa ou com a sua mãe. Eles só querem que seus filhos tenham um pai presente, porque eles não tiveram. Estão melhorando, acredite... Elas pensam que ensinaram isso a gente. Duvido, mas pode ser que alguém tenha aprendido a ser bom pai, com sua mãe, ou com sua mulher. Por quê não? Fico pensando nas canções do Chico Buarque e em toda aquela condescendência com o frágil mundo feminino... Tudo em vão, eu acho... Sim, esse mundo que já, quase não existe aqui na cidade grande... Tive uma vizinha que era motorista de ônibus, a dona Helena, mas essa não era como as “Helenas” de Manuel Carlos, não. Essa era braba pra cacete! Era motorista de ônibus e trabalhava no turno da manhã. Tinha um marido e quatro filhos. Três deles eram adultos, o Dudu era temporão e cuidado pelos outros três. O Mais velho era militar. Um negão de quase dois metros, mas bobo que nem uma criança, o do meio tinha vocação para bandido, e tanto assim que depois de trabalhar para um bicheiro famoso, foi assassinado, o terceiro era o mais bacana, e me ensinou a fazer limonada suíça, mas esse saiu cedo de casa porque era homossexual e sua mãe não tolerava essa coisa de “filho afeminado”. Até dói escrever e lembrar disso... Dona Helena era um machão, rapá. Saia do trabalho parava no botequim e enchia a cara de cerveja. Quando chegava em casa queria tudo arrumado e a comida pronta. Os filhos de banho tomado e o marido assistindo TV. Quando isso não acontecia, assim do jeitinho que ela queria, metia a mão naquele monte de marmanjos. Dava só tapa na cara, meu irmão. Não, não é brincadeira! Tô falando sério, fatos verídicos. Não to inventando história e nem personagens, não. Tenho testemunhas. Inclusive meu pai uma vez pulou o muro da casa dela pra separa uma briga com o marido. Ela pegou o cara na gravata e não soltava mais é nunca! Deu um mata Leão no malandro e ele já estava molinho e ficando roxo. Os dois estavam bêbados, lembro-me bem. Eu era um guri nessa época. Devia ter uns 12 ou 13 anos. Mas lembro bem. Uma vez arrombamos a porta da cozinha da casa dela pra apagar um incêndio. Ela foi pro botequim e deixou a panela de feijão no fogo. Uma fumaceira danada. Uma coisa... Isso aconteceu no início dos anos 80, então a transformação da mulher já estava bombando a muito tempo, acredito. As pioneiras sempre são as mais radicais, depois as coisas se estabilizam e as mais inteligentes reafirmam suavemente os objetivos da classe inteira. Acho bacana isso, mas não sei se elas vão ser felizes assim, no topo da cadeia alimentar. Talvez não estejam bem preparadas ainda... Vamos aos poucos, né? Dentre todas essas mudanças, e principalmente as de comportamento sexual, a que mais me preocupa, é que a maioria delas ainda está em busca do príncipe encantado. Querem um “bom” marido, uma casa e essas coisas bacanas do cristianismo, mas é tudo muito confuso, sabe... Não sabem ainda se querem isso, talvez queiram porque suas mães lhes disseram pra querer... Não estão dando muito valor a nada dessas coisas de casa família e coisa e tal. Vejo por minhas colegas de geração, que nunca quiseram aprender a cozinhar ou jamais arrumaram a cama onde dormiram. Assista a qualquer vídeo de garotas rebolando na Internet, sim, isso mesmo! Elas geralmente gravam esses vídeos no quarto. São garotas lindas, jovens em sua maioria, vestindo pequenos biquines quase invisíveis... Experimente observar o quarto. É uma bagunça enorme! Roupas espalhadas, lençóis pelo chão, travesseiros embolados com toalhas de banho. Uma coisa, rapá... Isso não há de ser nada, a não ser pela coragem de se filmar semi-nua e postar de si, imagens sensuais num ambiente livre... Pra todo e qualquer um assistir... Muita coragem! Não me diga que é coisa de adolescente, porque não é! Há senhoras fazendo isso! E não são poucas não, bebê... Tarefas domésticas são para homens, a final, elas trabalham fora... Eu acho graça, mas não tem nenhuma, na verdade. Fica parecendo que tá faltando mesmo homem no mercado, sabe? E eu acho que realmente está. As vezes vejo programas de debate e os especialistas dizem que elas são as lobas e estão no comando, mas acho estão mais carentes do que nunca... isso endoida a mulherada... Já vi mulheres aconselhando outras a não se separarem do “poia” do seu marido, somente porque não tem homem no mercado, e a concorrência está cada vez mais desleal. (Risos) Como se elas tivessem sido leais umas com as outras, alguma vez na história desse planeta... Parece preconceituoso isso que eu disse, né? É, não é politicamente correto, não... Bem, estou falando de fatos... As mulheres e seus joguinhos... Bom, pelo menos os joguinhos vão acabar, eu acho! Elas precisam ser mais diretas, mas assertivas, se não a outra vem, e babau o seu homem! Não tem mesmo a menor graça... Aliás, graça é uma coisa rara nisso tudo... É tão sem graça que já estou cheio desse assunto. Devia voltar pro coleiro de meu pai, e falar mais de sua gaiola suja. Que na verdade nem era tão suja assim. Homens são como coleiros. Um pouco de água fresca, comida, uma gaiola suja e sexo já são suficientes para sua felicidade... Dê essas coisas a um homem e ele amanhecerá cantando todas as manhãs...  Princípio básico da cartilha “como arranjar um homem”... Bem, não sei porque elas querem tanto arranjar um homem, acho-os tão desinteressantes... Aquela conversa toda sobre futebol e essa parada de competir o tempo todo... Tem o lance dos músculos, do carro, e de parecer que tem isso ou aquilo, que não tem. Aff, que desânimo... Eu não gostaria de ser mulher, não senhor... Mulheres não sabem nada sobre homens, definitivamente, e por isso é que os querem. São ignorantes no assunto, mas os homens, rá, esses são uns burros idiotas, meu querido... Eles sabem “tudo” sobre os truques, confusões, e invencionisses de uma mulher, e ainda assim, as querem... Homens são bobos, românticos que acham que amanhã será diferente, e que elas vão querer deitar com eles, e serão um coleiro feliz no dia seguinte... Bem, as vezes dão sorte, é verdade, mas acho que as mulheres não foram feitas para os homens. Eles não se entendem. São bichos diferentes. E digo que isso acontece mesmo,  quando o homem é muito feminino, ou quando a mulher é masculina. Digo que mesmo quando são atentos as diferenças, se atrapalham, porque mulher não tem uma lógica, se quer,  parecida com a do homem... Eles insistem, se ajeitam e alguns são muito felizes de tentar... Alguns fogem da gaiola e sempre voltam. Outros, jamais poderiam viver em uma. Elas, tão aí disputando com outras 14 mulheres, o seu homem, o seu lugar “ao sol”, mas a que leva o “prêmio”, na maioria das vezes, não sabe e nunca saberá o que fazer com ele!!! Salve o feminismo, o machismo e todo o tipo de imbecilidade que a gente criou pra dizer que sabe sobre uma coisa que nunca quis saber!!! Eu? Eu vou bebendo, meu filho, não sei vocês...
E deixo a pergunta: Por quê o afeto não é a coisa mais importante entre as pessoas, se é o que elas mais querem??? Respondam-se... Se puderem...

Rio de Janeiro, 31 de Outubro de 2012.
Alexandre de Roure.

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