domingo, 15 de maio de 2011

EU SOU DE BRIGA, GURI !





Eu sou mesmo de briga, sabe, guri? Sim, sou... Nem sempre fui assim, não.
Eu era um cara muitíssimo calmo, a quem, nada aborrecia e repetia essa
frase quase que como um slogan. Fazia essa propaganda, aliás, muito
verdadeira de mim mesmo. Quando era jovem eu estava sempre rindo. Rindo de
tudo – Fabinho “quiabo” começou a me chamar de cu frouxo por conta disso...
Eu me divertia com qualquer coisa, qualquer piada, qualquer amigo, qualquer
namorada, qualquer tudo. É, nessa época tudo pra mim estava bom. Ah,
esqueci de dizer que eu era mesmo muito educadinho e galanteador... Depois,
me chamavam de Gentleman... Parece piada hoje, mas não é. Eu era um desses
caras que colocava os bons modos e o “bom comportamento”, acima da maioria
das coisas. Nunca brigava com ninguém. E por falar nisso, a última vez que
me lembro de ter brigado na rua, foi num recreio da sexta série, com o meu
amigão, o André Zainho. Eu tomei um soco na boca e acabou a briga. Ele não
queria mais me bater, eu não revidei... Fiquei lá procurando alguma coisa
no chão da quadra de futebol. Alguma coisa que caiu quando ele me bateu.
Não sei se foi um dente, ou alguma outra coisa... Enfim, eu nunca fui de
briga! Sim, porque brigar pra mim (até mesmo na adolescência) significa
foder com tudo de uma vez! Eu me gabo ao dizer que sou ótimo em foder com
tudo. Sou o segundo melhor do mundo nesse quesito. Só perco pro meu pai,
ele é especialista no assunto. Então brigar pra mim, é foder com tudo, e de
preferência, de vez! Não curto muito essa de ficar de vai e vem, de chove
não molha e etc. Ou é, ou não é, cacete! Agora, eu preciso explicar, que
discutir, é uma coisa bastante diferente... Quando há um desentendimento
por ideias diferentes, eu não considero briga, porque se você tiver uma
opinião mesmo muito diferente da minha, não vai me irritar. Pelo contrário,
eu vou ficar tentando entender a sua ótica, pra saber como pensa aquilo.
Não serás meu inimigo porque pensas diferente de mim, irmão. Acho que isso
é uma parada bem saudável e deveria ser tratada de maneira normal. O que
não acontece quando os assuntos envolvem pessoas mais velhas, porque elas
ficam querendo colocar “panos quentes” em tudo, e ficam mudando de assunto,
e eu já não sei mais se por constrangimento, ou por achar que uma discussão
que gira em torno de ideias, possa virar uma briga, e aí elas passam a não
falar mais o que pensam pra não desagradar o outro e se tornam seus
capachos, ou não são mais capazes de se relacionar com essas pessoas das
quais descordam, e aí entram num ciclo de mentirinhas desnecessárias,
criando um turbilhão de pequenos mal entendidos, que enchem o saco de
qualquer ser humano! Bem eu acho, né? Mas é justamente por aí, que eu
costumo começar uma briga, porque me sinto profundamente ofendido quando
mentem pra mim, ou quando me escondem uma coisa, pensando que sabem como eu
vou reagir. Não sabem, até mesmo, porque eu também não sei... O Meu amor
vive dizendo que eu sou a pessoa mais previsível do mundo, e que ela sabe o
que eu vou fazer a cada momento... Bem, talvez isso seja muito fácil pra
ela, depois de dezessete anos, mas não deve mesmo funcionar pra todo mundo.
Aí eu acabo ligando pontos, fazendo articulações de pensamentos, começo a
captar mensagens “subliminares” nas falas de todos, e descubro que fui
enganado. Descubro que me fizeram de bobo. E logo eu, que me achava tão
esperto, tão sagaz... Bobinho e ingênuo, isso sim, é o que eu acabo sendo
na maioria das vezes. E aí é que vou decidir: Se eu estiver num dia bom,
talvez deixe essa briga pra depois, pra não estragar o meu dia. Aí fico
monossilábico e com um imenso sorriso amarelo e silencioso no rosto o tempo
todo. E pensando que “vingança é um bom prato que se come frio”... Uma
bobagem, porque quem faz uma vez, vai fazer a segunda, a terceira e fazer a
vida inteira, porque nós, adultos, não mudamos mais a nossa essência. Somos
o que somos. O que muda, são os tempos de resposta, dependendo da maturidade
que o cara tem. Eu não tenho muita maturidade para lidar com gente que
não me conheça a fundo, sabe... Ainda fico rindo o tempo todo, tentando ser
muito agradável o engraçadinho-brincalhão, e essas coisas que me
transformam no completo idiota, que me enche de arrependimento no dia
seguinte. Se eu pudesse, me dava um porradão pra parar com isso, mas não,
fico só com a velha dor de corno. Tá bem, aí um belo dia eu acordo meio
estouradinho, e fico  tentando lidar com isso, pra não perturbar
ninguém com minhas agruras, mas é claro que nesse dia não vou ter tanta
paciência. Não vou ter humor o suficiente pra aturar os chatos, os caras de
pau, os egoístas, os falastrões desmedidos, os todos, tá ligado? Quando
acordo com o “ovo virado”, não adianta. E não fica perguntando, agarrando,
preocupado, me agradando, que vai dar merda! Sim, vai dar merda! É só me
deixar quieto, com o meu silêncio, meu cigarrinho, meu olhar pro nada.
Quando você menos esperar, passou... E passa, é impressionante... Bem, as
vezes demora uns dois ou três dias pra passar, parece um encosto, mas não é
não. Sou eu com meus heterônimos alucinados. Deixe-os em paz, eles vem e
vão, são mesmo como fantasmas, como almas penadas, como, sei lá o quê...
“Putz, tive que parar pra ir ao banheiro. Tô com uma dor de barriga
terrível... “ Que horrível dizer isso, mas sentir é pior, não se enganem.
Eu eu venho convivendo com essas mazelas a vida toda, me reinventando pra
lidar comigo mesmo, com a minha cede de justiça, com a minha mania de
entender tudo e todo mundo. Eu me importo mesmo, sabe? Não tô a fim de
brigar não... Tô a fim de entender, mas se passar da minha medida, aí você
vai me aturar, querendo ou não. Eu vou fazer o maior escassel, vou fazer
barulho, vou xingar, e vou dizer as coisas certas pra te magoar. Eu só vou
querer te magoar e foda-se, porque brigar pra mim é isso! Aí você não volta
no dia seguinte pra brigar de novo, e eu estou livre de você! Sacou? É assim
que funciona... E comigo não tem esse lance de que as pessoas que eu amo
estão sempre certas, não senhor! Pra mim, certo é certo e errado é errado,
independente de quem seja! Não coloco filho da puta nenhum debaixo da asa
não! Tá errado, tá errado...! Essa parada de ser passional a esse ponto, não
rola comigo. Aliás, esse é um excelente motivo pra eu arrumar uma briga. E
tem mais, só pra terminar, não venha me apoiar quando eu estiver brigando,
não. Eu não quero, e não estou contando com o seu apoio. Eu fodo com tudo,
sozinho mesmo, com maior prazer, e até orgulho, eu diria. E é claro, pago o
preço disso sozinho, com prazer e com orgulho, de novo! Viu, assim que eu
fico ruim! Pois é, mas eu disse essa porcariada toda aqui, só pra desfechar
a história dizendo que eu estou muitíssimo cansado disso tudo. Não que eu
não me importe mais com as pessoas e esteja jogando a toalha não, porque
pra mim, todas as pessoas do mundo valem a pena, até mesmo as que eu nunca
conheci ou amei, mas estou procurando uma maneira de lidar com o meu
problema, que sou eu mesmo, e acho que cada um pode cuidar de si, sem
encher o saco dos outros. Tá entendendo? Tá claro pra você? É, tô querendo
não ser mais de briga, coisa nenhuma. Isso dá um trabalho danado, causa um
desgaste terrível, queima sei lá quantos neurônios, naquela punhetação de
ficar sofrendo, magoado e etc e tal.
Cara, tô chegando nos quarenta anos, e sinceramente, não posso me
dar ao luxo de gastar o meu tempo com esse tipo de coisa. Tem pelo menos, um
milhão de coisas que eu ainda quero fazer nessa vida, e o meu tempo tá
ficando precioso demais pra gastar com isso. Não se sinta abandonado quando
eu não quiser brigar com você, apenas estou adiando isso o máximo possível,
talvez eu deixe pra outra vida, se é que isso existe... Então, se quiser me
ver, falar, me ligue, mas não gaste o meu precioso tempo com o seu EU,
porque eu já tenho um EU que me consome o suficiente. Sejamos maduros, sejamos
honestos e não percamos tempo com turras imbecis... Com isso, quero dizer
que EU NÃO SOU MAIS DE BRIGA! Estou passando o ponto, trono, o posto, o cargo e
afins, nem vou cobrar as “luvas”... Aliás, estou dando de bandeja esse meu
adjetivo moribundo, pra um jovem qualquer que aprecie esse tipo de emoção.
Até um dia guri, fui viver...


NOTA: Preciso dizer que esse texto não terminaria aqui se "alguns amigos" não tivessem reclamado que os posts estão ficando muito longos... Mas não entendam isso como uma provocação, eu não quero briga... Tudo bem, uns tem preguiça, outros não tem tempo... Eu entendi, mas ainda tinha um bocado de coisa pra dizer. Claro, também não ia mudar nada então... Fica essa bagaça... 

Rio de Janeiro, 15 de Maio de 2011.

Alexandre de Roure.

3 comentários:

  1. Num tô dizendo rapá, eu disse ontem que num sô mais di briga e hoje mesmo ela já me procurô!!! Aff Maria... Vem dizer uma coisa q eu não disse, não minino... Faz isso não, é feio... Depois quer epartir a responsabilidade do que ele disse, comigo... E O FILHO DA PUTA do De Roure é que é o brigão.. Uffffaaa... Contei até 10, fumei dois cigarros... andei até a rua... E CONTINUEI PUTO!!! Mas não briguei e não assumi a responsabilidade que não é minha (Como o safado queria)... uahuahuah!!!!

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