segunda-feira, 19 de novembro de 2012
METIDO A CHATO
Eles me chamam de chato, rabugento e reclamão, mas se soubessem de quanta coisa eu gosto e sei... Cacete, eu gosto de tantas coisas incompreensíveis, pra eles... É isso... Coisas que não querem se dar ao trabalho de ouvir, ler, assistir e fazer... Não querem pensar e nem sentir novidades, sensações diferentes... Querem só o riso fácil... Não querem nada que dê o mínimo trabalho... O que pra eles é trabalho, pra mim, é prazer e deleite! O que pra eles e deleite, pra mim, é só rotina... E o que eles chamam de rotina, pra mim é dormir... Acho que não, dormir pode ser mais interessante... Meus sonhos são movimentados, sabe? Ora, uma gente que nem sonha com nada, me chamando de chato (e pelas costas, claro, né?)... Abro-lhes um jovem e belo sorriso escancarado e vos aviso: Meninos, chatos como eu adoram ser chatos... Desistam... Chatos como eu, sentem orgulho de ser chatos...
Rio de Janeiro, 19 de novembro de 2012.
Alexandre de Roure.
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